domingo, 27 de setembro de 2009

Não basta bater no peito

(...) e sair dizendo pra todo mundo que tu é homem. É preciso demonstrar. E sem essa de sair por aí dando porrada e depois dizer que é valentão, isso não é ser homem, muito menos homem com atitude. Chega um momento da vida em que precisamos buscar novos caminhos, encerrar de vez o vínculo com o passado e agir com atitude no presente.- De uns tempos pra cá estava meio perdido com o que realmente queria e como iria levar adiante a minha vida. Na verdade, faltava-me atitude para tomar uma escolha. Uma escolha que me realizasse e que me fizesse feliz de verdade. Mas, o que exatamente aconteceu? No final do ano passado eu terminei um rolo relacionamento digamos que sério. Quando terminei deixei claro a minha vontade e o porque do término. Queria poder aproveitar a vida, os amigos, curtir e claro ficar com várias garotas. Parecia que algo me levava a isso. Eu estava necessitando de novas experiências, novas aventuras. Viver a vida de uma forma intensa e sem muita sensatez. Porém, eu de fato não acabei e nem me preocupei em dar um fim a esse relacionamento. Acomodei-me na situação que para muitos seria a mais perfeita: ainda a tinha comigo, ao mesmo tempo em que eu poderia ter qualquer outra garota. Sim, isso aconteceu por longos meses! E fui questionado por muitos já que não viam mal em tudo isso, até mesmo, me parabenizando por ser capaz de levar tal situação. Só que algo vinha me incomodando, me martelando por dentro, até que, num momento de realidade, pude ver com clareza o que realmente acontecia. Sentia-me o dono! Nesses meses, eu fui o pior homem possível com a minha ex. Eu poderia tê-la em qualquer momento do dia, da noite. Bastava chamar, procurar e ela estaria ali para me atender. Mas a recíproca nunca foi verdadeira. Enquanto o garotão aqui saía e a traia, ela se manteve fiel. Agüentou firme todas as fofocas, todas as descobertas, engajada num ideal quase que utópico: a possível volta do namoro. E o culpado de tudo isso fui eu! Que por esse longo tempo a fiz acreditar que poderia realmente voltar. Usei de toda a paixão que um sentia pelo outro para nutrir esse sentimento cada vez mais. Até que resolvi dar um basta. Fiz valer o sentimento que tinha por ela e acabar com tudo. Contraditório? Talvez! Mas foi a escolha certa para um futuro que parecia incerto. Naquele momento estava tomando uma atitude. Atitude de homem! Achei mais do que justo ser totalmente honesto com ela, e principalmente, abandonar o papel do cachorro e filho da puta que vinha sendo. Uma garota que sempre me deu tudo, sempre me apoiou, não deveria estar passando por tudo isso, apenas para poder nutrir minha vontade de ser o único dela. Um pensamento machista, egoísta e ridículo. Eu estava sendo tudo que sempre repudiei, tudo que me enojava. Abusava do amor de uma garota incrível para simplesmente satisfazer o ego. Que grande idiota eu fui! Busquei o meu caráter e o senso de realidade guardados a sete chaves num baú e os usei. Não poderia mais prendê-la na minha realidade e com isso fuder com a realidade dela. Criar ilusões, sonhos e vontades que nunca seriam atendidas. Homem de verdade mantêm a postura até nos momentos mais difíceis. E assim eu fiz. Não foi nada fácil. Tudo desmoronou de vez. Mas mantive minha única atitude de verdade e fui rumo ao que acreditava ser o certo. Dei um ponto final. Também a fiz enxergar a realidade e buscar algo que seja bom para ela. Alguém que a de valor de uma forma que não vinha recebendo, que a faça feliz da forma que já não era possível pra mim. Nesse dia, consegui colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranqüilo. Com a certeza de ter feito a coisa certa. Não vejam como uma atitude corajosa. Espero apenas que seja o espelho de agora em diante para muitos que se acham fodões, só porque fodem com a realidade e o sonho de muitas garotas por aí.(y)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Tudo no mundo começou

(...) com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou. Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho. Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos - sou eu que escrevo o que estou escrevendo. Deus é o mundo. A verdade é sempre um contato interior e inexplicável. A minha vida a mais verdadeira é irreconhecível, extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique. Meu coração se esvaziou de todo desejo e reduz-se ao próprio último ou primeiro pulsar. A dor de dentes que perpassa esta história deu uma fisgada funda em plena boca nossa. Então eu canto alto agudo uma melodia sincopada e estridente - é a minha própria dor, eu que carrego o mundo e há falta de felicidade. Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes. (...) Trecho de A Hora da Estrela – C. Lispector.

Passei a noite relendo A hora da estrela, de Clarice Lispector. Já li esse livro tantas vezes que perdi as contas. Realmente é surpreendente, fascinante e uma leitura obrigatória para todos os amantes da nossa literatura.

Sabe quando dizem que uma estrela ‘apaga’ e depois de anos-luz, nós, aqui na Terra, vemos o brilho dela? O que nós estamos vendo, se pensarmos um pouco além, é absolutamente nada. Seria nada mais nada menos que o brilho de algo que deixou de existir. A hora da estrela simboliza isso. O momento de enxergar a inexistência ativa. O momento de parar para notar a existência de algo/alguém que não está mais entre nós. A hora da estrela é a hora da nossa morte, pois, nesse momento, o ser humano deixa de ser invisível às pessoas, que percebem que ele existe apenas quando já não existe mais.

O livro inteiro é sobre literatura e sobre quem determina os fatos. Assim como na vida, quem determina o que ocorre conosco? Está aí um grande questionamento sem explicação alguma. Rodrigo S.M. (narrador) é apenas um fantoche nas mãos de Clarice. Ele é real. Assim como vida é real, as lutas são reais e as derrotas são quase sempre constantes. Vale muito à pena lê-lo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Gostar de alguém

[...] é função do coração, mas esquecer, não. É tarefa da nossa cabecinha, que aliás é nossa em termos: tem alguma coisa lá dentro que age por conta própria, sem dar satisfação. Quem dera um esforço de conscientização resolvesse o assunto.

Martha Medeiros

Fugalaça

"[...] Na verdade a batalha não é entre o Bem e o Mal. A guerra não passa de uma confrontação do coração com a mente. A mente, lá em cima na cabeça, acha que é superior ao coração e mesmo quando ele dói ela ordena que ele continue. [...]"
Fugalaça - Mayra Dias Gomes

Confesso que peguei e que olhei o livro sem muita fé, só pra dar aquela 'folheada'. Depois de dois minutos com o livro na mão, não tive dúvidas de que o lugar dele era no meu quarto, na minha coleção. Sem sombra de dúvidas é um ótimo livro. Me indentifiquei bastante com Satine e carrego um pouco da personagem em mim. Recomendo!